Crítica | Shelter: Sem limites - Statham de volta ao que sabe fazer de melhor

Proeminente Eduardo
0

Dirigido por Ric Roman Waugh e com trilha sonora assinada por David Buckley, Shelter: Sem limites chega como mais uma prova de que Jason Statham construiu um universo cinematográfico próprio, não de super-heróis, mas de homens solitários, perigosos e com um passado que insiste em cobrar a conta.



O filme acompanha Mason, um homem recluso que vive isolado à beira-mar e que, ao resgatar uma jovem garota de um naufrágio durante uma tempestade violenta, desencadeia uma série de eventos que o obriga a confrontar escolhas do seu passado e a premissa é simples, mas funciona, e funciona bem.


8.7/10


Um dos grandes trunfos de Shelter ( Missão Refúgio ) é a sua trilha sonora. David Buckley entrega composições que respiram junto com o filme, amplificando a tensão dos momentos de ação e a melancolia do isolamento de Mason. A música não enfeita, ela pertence à narrativa, encaixando-se perfeitamente no tom sombrio e tenso que um bom thriller exige.


O elenco conta com nomes como Bill Nighy, Naomi Ackie e a jovem estreante Bodhi Rae Breathnach, e todos saem-se muito bem. Statham continua inabalável no seu arquétipo, ele é uma máquina de ação com bússola, e assistir ao seu trabalho é o grande espetáculo do filme. Mas aqui há algo a mais: uma dimensão emocional na relação com a personagem de Jesse que eleva o trabalho do ator além do físico. Os coadjuvantes sustentam bem essa dinâmica, tornando as interações críveis e envolventes.


A cinematografia de Martin Ahlgren, filmada nas paisagens brutas da costa escocesa, tem seus momentos de beleza, mas peca na consistência. Algumas escolhas visuais deixam a sensação de que o cenário espetacular poderia ter sido mais bem aproveitado. É o único elemento técnico que não acompanha o nível dos demais, embora não chegue a prejudicar o ritmo e a dinâmica geral da obra.


Aqui está o maior arranhão do filme. Alguns elementos emocionais acabam sendo suprimidos, e o ritmo final, apesar de se destacar nas cenas de ação, deixa pontas soltas. O personagem Mason, em especial, sai do filme carregando perguntas sem resposta, motivações nebulosas, lacunas no seu passado que o roteiro levanta mas não resolve. Para um thriller que aposta tanto na construção do protagonista, é uma oportunidade perdida.


Quem assistiu a The Beekeeper (2024) vai reconhecer imediatamente o DNA de Shelter: o homem solitário com habilidades letais tirado do seu retiro, a proteção de um ente vulnerável como catalisador da trama, e a violência catártica servida com precisão. Statham, quase aos 60 anos, abraçou com convicção o nicho dos filmes de ação B, produções que podem ser esparsas em enredo, mas oferecem muita diversão, e Shelter é mais um capítulo bem-sucedido nessa trajetória.


O filme Shelter: Sem limites não vai concorrer ao Oscar, mas entrega exatamente o que promete: ação bem dirigida, personagens carismáticos e uma trilha sonora que gruda. Peca por deixar Mason como um quebra-cabeça incompleto, mas para os fãs do gênero e do Statham, é programa garantido.

Postar um comentário

0 Comentários

Postar um comentário (0)

#buttons=(ÓTIMO!) #days=(20)

Informamos que o nosso website usa cookies para obter a melhor experiência do usuário. SAIBA MAIS
Ok, Go it!