O cinema de ação moderno parece ter encontrado sua nova "era de ouro" na busca pelo hiper-realismo. Após o sucesso estrondoso de Top Gun: Maverick, o diretor Joseph Kosinski volta suas lentes para o asfalto em F1, transformando o desejo de muitos entusiastas, ver Brad Pitt em um cockpit, em uma experiência sensorial de tirar o fôlego.
O grande trunfo de F1 não está apenas no que vemos, mas em como sentimos. A produção é uma façanha cinematográfica que coloca o espectador no "banco do passageiro" (ou melhor, colado ao chassi). O design de som é visceral, capturando o rugido dos motores e o deslocamento de ar de forma que o público quase sinta a força G na poltrona do cinema. A cinematografia de Kosinski evita os vícios do CGI exagerado, preferindo a crueza e a beleza das pistas reais.
7.2/10
Narrativamente, o filme opta por um caminho seguro, mas extremamente eficaz. Acompanhamos Sonny Hayes (Brad Pitt), um piloto que trocou a glória pela vida de "mercenário" das pistas após um acidente traumático. O retorno de Hayes, orquestrado pelo desesperançado dono de equipe Rubén Cervantes (Javier Bardem), segue a cartilha clássica dos dramas esportivos de redenção. Embora o roteiro possa parecer previsível ou repetitivo em certos arcos, há um conforto proposital nessa estrutura. F1 não tenta reinventar a roda; ele celebra uma época mais simples do cinema, onde o carisma dos personagens e a clareza do conflito eram os motores da história.
Brad Pitt e Damson Idris têm dinâmica entre o veterano teimoso e o jovem talento é eletrizante. A química oscila entre a rivalidade explosiva e a necessidade de colaboração, sustentando a tensão necessária para as cenas fora das pistas.
Javier Bardem entrega um contraponto fascinante a Pitt. Suas trocas de farpas são repletas de uma hostilidade inspiradora, lembrando-nos constantemente de que, por trás do esporte, existe o ego e a sobrevivência de um império.
F1 acerta em cheio ao equilibrar o espetáculo técnico com o magnetismo de seus astros, provando que o carisma de um astro de cinema ainda é o combustível mais potente de Hollywood. É belo, barulhento e emocionalmente honesto. Ele nos lembra por que vamos ao cinema, para sermos transportados a lugares onde a velocidade é a única coisa que importa, mesmo que o caminho até a linha de chegada seja um território familiar.

