Quando o cinema de ação tailandês explodia para o mundo no início dos anos 2000 com Tony Jaa e Ong-Bak, poucos imaginavam que, em 2008, uma jovem de 24 anos chamada Yanin Vismitananda conhecida mundialmente como JeeJa Yanin, viria para redefinir o que uma atriz de artes marciais é capaz de fazer nas telas.
Faixa-preta 4º Dan em Taekwondo e especialista em Muay Thai, JeeJa não usa dublê. Cada chute, cada queda, cada sequência impossível é ela, com cicatrizes para provar. Em uma indústria dominada por homens, ela construiu uma carreira sólida ao lado de nomes como Tony Jaa, Scott Adkins, Iko Uwais e Joe Taslim.
Abaixo, uma fiz uma contagem regressiva com os 11 melhores filmes da carreira de JeeJa Yanin, do décimo primeiro aoy primeiro lugar. Não esqueça de adicionar AngoCinema na sua lista de favoritos no Google.
11 - EUROPE RAIDERS (2018)
Direção: Zenny Wong
Coprodução asiática que reúne talentos de Hong Kong e Tailândia em uma trama de espionagem e perseguições pela Europa. JeeJa aparece em um papel de suporte, mas basta ela entrar em cena para que a tensão suba. As coreografias de luta são competentes e ela demonstra naturalidade mesmo em um cenário mais thriller do que o habitual. Não é o filme mais ambicioso de seu currículo, mas cumpre bem o papel de entreter fãs do gênero.
- Por que ver: Uma JeeJa em modo internacional, adaptando seu estilo ao cinema de Hong Kong.
10 - THIS GIRL IS BAD-ASS!! (2011)
Direção: Petchtai Wongkamlao
O título em inglês já entrega tudo. Neste filme de comédia de ação tailandés, JeeJa interpreta uma jovem mensageira de bicicleta que acidentalmente entra em conflito com gangues rivais. O tom é leve, o humor é físico e as lutas têm aquela energia caótica e criativa que só o cinema tailandês consegue entregar.
É um filme deliberadamente despretensioso, que usa JeeJa para mostrar seu timing cômico além da dureza marcial, e funciona. Uma surpresa agradável para quem esperava apenas socos e chutes.
- Por que ver: JeeJa cômica e descontraída, sem abrir mão das coreografias de pancadaria.
9 - THE KICK (2011)
Direção: Prachya Pinkaew
Coprodução tailandesa-coreana dirigida por Prachya Pinkaew, e conta a história de uma família coreana radicada na Tailândia que possui habilidades excepcionais em Taekwondo. Quando um tesouro histórico é roubado, eles precisam agir.
JeeJa Yanin tem um papel secundário neste projeto, mas as sequências de ação são um espetáculo técnico. A câmera valoriza cada movimento e a coreografia combina a elegância do Taekwondo coreano com a brutalidade do Muay Thai tailandês. Uma aula de cinema de artes marciais asiático.
- Por que ver: A fusão de Taekwondo e Muay Thai numa coreografia de luta raramente vista.
8 - OVERSIZE COPS (2017)
Direção: Mez Tharatorn
Mais uma comédia de ação tailandesa que prova que JeeJa Yanin não tem medo de se reinventar. Dois policiais acima do peso são enviados para uma missão encoberta, e o caos resulta em um filme que equilibra risos e boas sequências de ação.
JeeJa entra como elemento de contraste, eficiente, rápida e mortal em meio à desordem cômica dos protagonistas. Um projeto menor, mas com charme genuíno e uma energia popular que fez sucesso de bilheteria na Tailândia.
- Por que ver: O lado bem-humorado de JeeJa em mais uma produção popular tailandesa.
7 - THE PROTECTOR 2 (2013)
Direção: Prachya Pinkaew
A sequência do clássico Ong-Bak trouxe de volta Tony Jaa na missão de salvar seu elefante, e desta vez, JeeJa Yanin aparece do lado dos antagonistas. Ver ela e Tony Jaa no mesmo frame é um presente para qualquer fã de filmes de luta asiáticos.
O filme peca na narrativa e nos efeitos visuais datados, mas as coreografias de combate compensam com energia. JeeJa interpreta uma das irmãs vilãs e entrega um desempenho físico impressionante, com movimentos ágeis que complementam o estilo mais bruto de Tony Jaa.
- Por que ver: A dinâmica única entre JeeJa e Tony Jaa, do mesmo lado de cena, em lados opostos da história.
6 - HARD TARGET 2 (2016)
Direção: Roel Reiné
Sequência direta de vídeo do clássico de John Woo estrelado por Jean-Claude Van Damme, Hard Target 2 segue a fórmula do "caçada humana" com Scott Adkin s como um lutador de MMA que se torna a presa.
JeeJa Yanin aparece como uma caçadora implacável e o confronto entre ela e Adkins é um dos pontos altos do filme.
Duas estrelas do cinema de ação moderno, cada uma com um estilo completamente diferente, num duelo que justifica o filme inteiro. JeeJa usa sua agilidade para compensar a força bruta de Adkins, e funciona muito bem na tela.
- Por que ver: O duelo JeeJa vs. Scott Adkins é puro cinema de ação dos bons.
5 - NEVER BACK DOWN: NO SURRENDER (2016)
Direção: Michael Nun e William Nun
Terceiro capítulo da franquia Never Back Down, este é o primeiro filme da série em que JeeJa Yanin assume o papel de protagonista principal e ela carrega o peso com competência. A história gira em torno de um circuito de MMA clandestino com apostas criminosas.
O que diferencia este filme na carreira de JeeJa é a amplitude: ela demonstra que consegue sustentar uma narrativa inteira sozinha, com momentos de drama e vulnerabilidade que vão além dos golpes. A presença de Michael Jai White adiciona um confronto memorável na reta final.
- Por que ver: JeeJa como protagonista completa e não só lutadora, mas a âncora emocional do filme.
4 - RAGING PHOENIX (2009)
Direção: Rashane Limtrakul
Segundo filme de JeeJa Yanin e a continuação natural do impacto deixado por Chocolate. Aqui ela interpreta Deu, uma jovem rebelde e impulsiva que quase é raptada por uma gangue especializada em sequestrar mulheres com um odor corporal único, utilizado para produzir uma droga letal.
O grande diferencial do filme é a introdução de um estilo de arte marcial completamente original chamado Meyraiyuth, que combina movimentos de Muay Thai com passos de dança e técnicas de embriaguez (Drunken Boxing). As coreografias, assinadas por Panna Rittikrai, são inventivas e hipnóticas, um dos trabalhos mais criativos do cinema de ação asiático dos anos 2000.
- Por que ver: O Meyraiyuth é uma das invenções mais criativas do cinema de artes marciais. Ver para crer.
3 - TRIPLE THREAT (2019)
Direção: Jesse V. Johnson
Um sonho acordado para fãs de filmes de ação. Triple Threat (Tripla Ameaça) reuniu em um único elenco nomes como Tony Jaa, Iko Uwais, Tiger Chen, Scott Adkins, Michael Jai White e, claro, JeeJa Yanin. É o equivalente do cinema de ação a um all-star game da NBA.
A trama, sobre mercenários protegende uma herdeira contra um grupo de assassinos de elite, é um pretexto para coreografias espetaculares. JeeJa interpreta uma das antagonistas e suas sequências de combate contra Iko Uwais e Tony Jaa estão entre os momentos mais emocionantes de toda a sua carreira.
Dirigido por Jesse V. Johnson, o filme cumpre exatamente o que promete: pancadaria de alto nível com um elenco que conhece bem o terreno.
- Por que ver: O maior encontro de estrelas do cinema de artes marciais moderno. Uma celebração do gênero.
2 - THE FURIOUS (2026)
Direção: Kenji Tanigaki
Depois de sete anos longe das telas desde Triple Threat, JeeJa Yanin retornou ao cinema em grande estilo com The Furious, um filme de Hong Kong dirigido por Kenji Tanigaki, o mesmo diretor que a conheceu antes de seu debut em Chocolate e que foi o responsável por convencê-la a voltar.
No filme, ela interpreta Matia, namorada do jornalista Navin (Joe Taslim), que investiga de forma paralela o desaparecimento de crianças enquanto o pai de uma delas (Xie Miao) trava uma guerra sozinho contra uma rede criminosa.
Com Yayan Ruhian (o Mad Dog do filme The Raid), Brian Le e uma coreografia assinada por Kensuke Sonomura, o filme estreou no Festival de Toronto (TIFF 2025) com recepção calorosa, acumulando nota 7.7 no IMDb. Uma obra que prova que JeeJa não envelheceu, ela amadureceu.
- Por que ver: O retorno triunfal de JeeJa ao lado de um elenco de elite do cinema de ação asiático contemporâneo.
1 - CHOCOLATE (2008)
Direção: Prachya Pinkaew
Não existe outro lugar para este filme que não seja o número um. Chocolate é uma obra singular na história do cinema de ação asiático e o debut mais impressionante de uma atriz de artes marciais em décadas.
JeeJa Yanin interpreta Zen, uma jovem autista com hipersensibilidade que, desde criança, absorve instintivamente os movimentos marciais que vê ao redor. Quando sua mãe adoece e precisa de dinheiro para tratamento, Zen começa a cobrar dívidas antigas e cada devedor revela um nível diferente de dificuldade nas lutas.
O que Prachya Pinkaew e JeeJa constroem juntos é um filme que usa a especificidade do personagem para criar uma lógica de ação completamente original. Zen absorve o Muay Thai do vizinho, o Capoeira do adversário e os movimentos do próprio Tony Jaa que ela assiste pela televisão, um detalhe genial de roteiro que homenageia o cinema que veio antes.
As coreografias, executadas sem dublê, como atestam os créditos finais mostrando os acidentes reais de filmagem são de tirar o fôlego. A luta nos andaimes de metal, o combate num frigorífico e o clímax contra dezenas de oponentes figuram entre as melhores sequências de ação já filmadas na Ásia.
JeeJa Yanin tinha 24 anos. Era seu primeiro filme. E ela entregou uma performance que levaria qualquer veterano a se envergonhar.
- Por que ver: Porque Chocolate é o filme de estreia mais explosivo do cinema de artes marciais desde o Bruce Lee original. Ponto final.
Uma carreira construída na dor e na excelência
JeeJa Yanin nunca foi a atriz mais prolífica do cinema asiático. Sua discografia é enxuta e pouco mais de dez filmes em quase vinte anos. Mas a qualidade do que faz, a entrega física e a coragem de nunca usar dublê para o que realmente importa nas telas fazem dela uma das figuras mais respeitadas de toda a indústria cinematográfica de ação global.
De Chocolate ao recente filme, The Furious, ela provou que uma mulher pode liderar um filme de artes marciais com a mesma autoridade de qualquer homem, com mais elegância na maioria dos casos. O cinema de ação é melhor porque JeeJa Yanin existe.












