A comédia romântica está viva e passa muito bem, ou melhor, passa maravilhosamente bem no além-vida de David Freyne. Em Eternity, o clichê do triângulo amoroso é elevado a um patamar metafísico, transformando uma escolha impossível em uma reflexão profunda sobre o que realmente significa "viver feliz para sempre".
A premissa é tão criativa quanto emocionante: Joan (Elizabeth Olsen) falece e acorda em um escritório celestial onde deve tomar a decisão definitiva. De um lado, Luke (Callum Turner), seu primeiro marido, o retrato da perfeição juvenil interrompida pela Guerra da Coreia. Do outro, Larry (Miles Teller), o companheiro rabugento, real e devotado de seis décadas de casamento.
8.0/10
Quem merece a sua eternidade? O "e se" romântico da juventude ou o "foi assim" resiliente da velhice? O grande trunfo de Eternity é o trabalho corporal e emocional de seu trio protagonista:
Elizabeth Olsen, Callum Turner e Miles Teller: É impressionante como o trio consegue convencer como pessoas de 90 anos presas em corpos jovens (ou vice-versa), incorporando trejeitos, olhares e uma sabedoria que só décadas de convivência trariam.
O Alívio Cômico de Elite: Da'Vine Joy Randolph (que confirma ser necessária em absolutamente todos os filmes) e John Early brilham como os coordenadores do além, trazendo o timing cômico perfeito para equilibrar o peso emocional da escolha de Joan.
Através de um design de produção imersivo e uma colorização rica, Freyne evoca uma nostalgia aconchegante. É aquele tipo raro de cinema "confortável", onde o espectador sente vontade de morar dentro da tela. O roteiro de Pat Cunnane é a peça final desse quebra-cabeça, equilibrando o fantástico com diálogos realistas que arrancam risos e lágrimas na mesma proporção.
Eternity é um clássico instantâneo. Em um mundo cada vez mais cínico, ele nos oferece um pouco de mágica, muita humanidade e a pergunta que todos gostaríamos de saber responder: o que faz uma vida valer a pena por toda a eternidade?

