Se existe um cineasta que nasceu para adaptar Mary Shelley, este homem é Guillermo del Toro. Em sua versão de Frankenstein (2025), o diretor não apenas reconta um clássico, mas oferece a culminação de uma carreira dedicada aos "monstros" que habitam as margens da sociedade. É uma obra que dialoga diretamente com o DNA gótico de A Colina Escarlate e a empatia criaturística de A Forma da Água.
Fiel à sua filosofia, Del Toro inverte o espelho: aqui, o horror não reside nas cicatrizes da Criatura, mas na "santidade" hipócrita dos homens bem-vestidos. O filme explora a ideia de que a monstruosidade é um subproduto da vaidade e do abandono.
8.8/10
O elenco é, sem dúvida, um dos pilares que sustenta essa catedral de horror e melancolia:
Oscar Isaac (Victor Frankenstein): Entrega uma performance visceral sobre a masculinidade tóxica. Seu Victor não é apenas um cientista louco, mas um homem acorrentado à compulsão de repetir os erros e pecados de seu próprio pai.
Jacob Elordi (A Criatura): Em um feito extraordinário, Elordi despe-se da vaidade para explorar o que significa ser humano. Sua busca por libertação do ciclo de abuso é o coração emocional do filme, transformando o "monstro" em uma figura de profunda compaixão.
Mia Goth e Felix Kammerer: Trazem o equilíbrio necessário entre a crueldade inerente à criação e a humanidade devastadora de Elizabeth e William.
Nota-se em cada frame que este é o projeto de paixão da vida de Del Toro. A produção não é apenas técnica; é tátil desde o design de produção e figurinos, eles criam uma atmosfera onde o passado parece vivo e em decomposição ao mesmo tempo.
Cinematografia e Trilha Sonora: Trabalham em uníssono para transformar a angústia em beleza, fazendo de 2025 um ano memorável para o cinema de gênero. "Frankenstein não é apenas um filme sobre um criador e sua criatura; é um estudo magistral sobre como o trauma é herdado e como a beleza pode ser encontrada nos lugares mais sombrios."
Ao entrelaçar temas de obras anteriores como Cronos e Mimic, Del Toro entrega uma adaptação que é, ao mesmo tempo, um tributo a Mary Shelley e um manifesto pessoal. É um filme ousado, belo e doloroso, exatamente o que o cinema precisava para redefinir o mito do Moderno Prometeu.
